Aconteceu no dia 07 de março na capela da UNIVAP Urbanova a "Manhã de Espiritualidade da Pastoral Familiar de São José dos Campos". Estiveram presentes os coordenadores, vices e também os agentes que estão a frentes dos núcleos de trabalho.
A reflexão ficou por conta de Dom Moacir com o tema "Família, lugar de integração de gerações".
O evento torminou com a celebração da Santa Missa.
Segue abaixo o texto da reflexão feita por Dom Moacir.
FAMÍLIA, LUGAR DE INTEGRAÇÃO DE GERAÇÕES
Espiritualidade conjugal: Pais e Filhos
Numa manhã de espiritualidade para agentes da Pastoral Familiar é sempre bom buscar os fundamentos da espiritualidade conjugal familiar.
Para isso não podemos deixar de lado as grandes orientações de João Paulo II, na FC.
“O sacramento do matrimônio, que retoma e especifica a graça santificante do batismo, é a fonte própria e o meio original de santificação para os cônjuges. Em virtude do mistério da morte e ressurreição de Cristo, dentro do qual se insere novamente o matrimônio cristão, o amor conjugal é purificado e santificado: «O Senhor dignou-se sanar, aperfeiçoar e elevar este amor com um dom especial de graça e caridade” (56).
“A vocação universal à santidade é dirigida também aos cônjuges e aos pais cristãos: é especificada para eles pela celebração do sacramento e traduzida concretamente nas realidades próprias da existência conjugal e familiar. Nascem daqui a graça e a exigência de uma autêntica e profunda espiritualidade conjugal e familiar, que se inspire nos motivos da criação, da aliança, da cruz, da ressurreição e do sinal...” (56c).
Três meios para avançar na espiritualidade conjugal e familiar: Eucaristia, reconciliação e oração familiar.
“O dever de santificação da família tem a sua primeira raiz no batismo e a sua expressão máxima na Eucaristia, à qual está intimamente ligado o matrimônio cristão” (57a).
“A Eucaristia é a fonte própria do matrimônio cristão. O sacrifício eucarístico, de fato, representa a aliança de amor de Cristo com a Igreja, enquanto sigilada com o sangue da sua Cruz. Neste sacrifício da Nova e Eterna Aliança é que os cônjuges cristãos encontram a raiz da qual brota, é interiormente plasmada e continuamente vivificada a sua aliança conjugal. Como representação do sacrifício de amor de Cristo pela Igreja, a Eucaristia é fonte de caridade. E no dom eucarístico da caridade a família cristã encontra o fundamento e a alma da sua «comunhão» e da sua «missão»: o Pão eucarístico faz dos diversos membros da comunidade familiar um único corpo, revelação e participação na mais ampla unidade da Igreja; a participação pois ao Corpo «dado» e ao Sangue «derramado» de Cristo torna-se fonte inesgotável do dinamismo missionário e apostólico da família cristã” (57b).
“Uma parte essencial e permanente do dever de santificação da família cristã é o acolhimento do apelo evangélico de conversão dirigido a todos os cristãos, que nem sempre permanecem fiéis à «novidade» daquele batismo que os constituiu «santos». A família cristã também nem sempre é coerente com a lei da graça e da santidade batismal, proclamada de novo pelo sacramento do matrimônio” (58a).
“O arrependimento e o mútuo perdão no seio da família cristã, que se revestem de tanta importância na vida quotidiana, encontram o seu momento sacramental específico na Penitência cristã. Aos cônjuges escrevia assim Paulo VI, na Encíclica Humanae Vitae: Se o pecado os atingir, não desanimem, mas recorram com humilde perseverança à misericórdia de Deus, que com prodigalidade é generosamente dada no sacramento da Penitência” (58b).
“A oração familiar tem as suas características. É uma oração feita em comum, marido e mulher juntos, pais e filhos juntos. A comunhão na oração é, ao mesmo tempo, fruto e exigência daquela comunhão que é dada pelos sacramentos do batismo e do matrimônio. Aos membros da família cristã podem aplicar-se de modo particular as palavras com que Cristo promete a sua presença: «Digo-vos ainda: se dois de vós se unirem, na terra, para pedirem qualquer coisa, obtê-la-ão de Meu Pai que está nos Céus. Pois onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou três, Eu estou no meio deles” (59b).
“A oração familiar tem como conteúdo original a própria vida de família, que em todas as suas diversas fases é interpretada como vocação de Deus e atuada como resposta filial ao Seu apelo: alegrias e dores, esperanças e tristezas, nascimento e festas de anos, aniversários de núpcias dos pais, partidas, ausências e regressos, escolhas importantes e decisivas, a morte de pessoas queridas, etc., assinalam a intervenção do amor de Deus, na história da família, assim como devem marcar o momento favorável para a ação de graças, para a impetração, para o abandono confiante da família ao Pai comum que está nos céus. A dignidade e a responsabilidade da família cristã como Igreja doméstica só podem pois ser vividas com a ajuda incessante de Deus, que não faltará, se implorada com humildade e confiança na oração” (59c).
Família, lugar de integração de gerações (pais, filhos, avós...)
O DA, citando Papa Bento XVI, na abertura da V Conferencia, diz: “A família, patrimônio da humanidade, constitui um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos. Ela tem sido e é o lugar e escola da fé, fonte de valores humanos e cívicos, lar onde a vida humana nasce e se acolhe generosa e responsavelmente” (DA, 302).
A família, nascida da íntima comunhão de vida e de amor conjugal fundada sobre o matrimônio entre um homem e uma mulher, é o lugar primário das relações interpessoais, o fundamento da vida das pessoas e o protótipo de toda organização social. Este berço de vida e de amor é o lugar apropriado no qual o homem nasce e cresce, recebe as primeiras noções da verdade e do bem onde aprende o que quer dizer amar e ser amado e, por conseguinte, o que quer dizer ser pessoa. ]
A família é a comunidade natural onde se tem a primeira experiência e a primeira aprendizagem da sociabilidade humana, pois nela não só se descobre a relação pessoal entre o “eu” e o “você”, mas também se dá o passo ao “nós”. A entrega recíproca do homem e da mulher unidos em matrimônio, cria um ambiente de vida no qual a criança pode desenvolver as suas potencialidades, tomar consciência da sua dignidade e preparar-se para afrontar o seu destino único. Neste clima de afeto natural que une os membros da comunidade familiar, cada pessoa é reconhecida e responsabilizada na sua singularidade.
A família educa o homem segundo todas as suas dimensões rumo à plenitude da sua dignidade. É o âmbito mais apropriado para o ensinamento e transmissão dos valores culturais, éticos, sociais, espirituais e religiosos, que são essenciais para o desenvolvimento e bem-estar tanto dos seus próprios membros como da sociedade. De fato, é a primeira escola das virtudes sociais, que todos os povos necessitam. A família ajuda a que as pessoas desenvolvam alguns valores fundamentais que são imprescindíveis para formar cidadãos livres, honestos e responsáveis, por exemplo, a verdade, a justiça, a solidariedade, a ajuda ao mais fracos, o amor aos outros por si mesmos, a tolerância, etc.
A família é a melhor escola para criar relações comunitárias e fraternas, frente às atuais tendências individualistas. De fato, o amor – que é a alma da família em todas as suas dimensões – só é possível se houver entrega sincera de si mesmo aos outros. Amar significa dar e receber o que não se pode comprar nem vender mas só presentear livre e reciprocamente. Graças ao amor, cada membro da família é reconhecido, aceito e respeitado em sua dignidade. Do amor nascem relações vividas como entrega gratuita, e surgem relações desinteressadas e de solidariedade profunda. Como a experiência o demonstra, a família constrói cada dia uma rede de relações interpessoais e prepara para viver em sociedade em um clima de respeito, justiça e verdadeiro diálogo.
A família ajuda a descobrir o valor social dos bens que se possuem. Uma mesa, na que todos compartilham os mesmos alimentos, adaptados à saúde e à idade dos membros é um exemplo, simples mas muito eficaz, para descobrir o sentido social dos bens criados. A criança vai incorporando assim critérios e atitudes que o ajudarão mais adiante nesta outra família mais ampla que é a sociedade.
“A família é uma instituição de mediação entre o indivíduo e a sociedade, e nada a pode substituir totalmente. Ela mesma apóia-se sobretudo numa profunda relação interpessoal entre o esposo e a esposa, sustentada pelo afeto e compreensão mútuos. No sacramento do Matrimônio, ela recebe a abundante ajuda de Deus, que comporta a verdadeira vocação para a santidade. Queira Deus que os filhos contemplem mais os momentos de harmonia e afeto dos pais e não os de discórdia e distanciamento, pois o amor entre o pai e a mãe oferece aos filhos uma grande segurança e ensina-lhes a beleza do amor fiel e duradouro.
A família é um bem necessário para os povos, um fundamento indispensável para a sociedade e um grande tesouro dos esposos durante toda a sua vida. É um bem insubstituível para os filhos, que hão-de ser fruto do amor, da doação total e generosa dos pais. Proclamar a verdade integral da família, fundada no matrimônio, como Igreja doméstica e santuário da vida é uma grande responsabilidade de todos.
O pai e a mãe deram-se um "sim" total diante de Deus, o qual constitui a base do sacramento que os une; do mesmo modo, para que a relação interna da família seja completa, é necessário que digam também um "sim" de aceitação aos seus filhos, aos que geraram ou adotaram e que têm a sua própria personalidade e caráter. Assim, eles irão crescendo num clima de aceitação e amor, e é de se desejar que ao alcançar uma maturidade suficiente queiram dar, por sua vez, um "sim" a quem lhes deu a vida.” (Bento XVI – Valença – 2006)
Um elemento fundamental da santidade do casal e, conseqüentemente, da espiritualidade conjugal e familiar, é o próprio amor conjugal.
O casal cresce em santidade na medida em que os cônjuges, amados por Deus, crescem no amor amando, e a medida do amor dos cônjuges é a medida de sua participação na vida divina.
Quem foi chamado para viver a caridade conjugal, como sua forma característica de vida cristã, tem no próprio amor conjugal o primeiro e mais direto caminho para a perfeição. Quanto mais o casal se ama, tanto mais será amado por Deus, quanto mais o casal se ama, tanto mais se abre para o amor de Deus; quanto mais o casal se ama, tanto mais cresce o amor fraterno, tanto mais se expande para a Igreja e o mundo. O amor conjugal, a caridade conjugal, é o eixo da espiritualidade do casal, a sua característica, o seu caminho.
O casal é chamado à perfeição enquanto casal e através do matrimônio: é chamado a crescer sempre mais no amor conjugal.
Todo amor conjugal é presente de Deus e o faz presente. O amor conjugal batizado é sacramento, realidade ao mesmo tempo divina e humana, que manifesta a presença do amor de Deus e ao mesmo tempo o oculta, sob os véus dos sentidos e dos afetos de um homem e de uma mulher. Por isso mesmo o amor conjugal é o caminho do crescimento, da perfeição e da santidade para o casal.
Por fim, um texto bíblico para nossa reflexão: Cl 3, 12-15. Ler e comentar.
Um tempo de silêncio, se possível.